terça-feira, 25 de janeiro de 2011

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24 de dezembro

TELE TRANSPORTE E CLARIVIDÊNCIA

Ogã Moura

Para a comunidade Parapsicologia

Agradeço as suas explicações, as quais foram valiosas, pois, clarearam-me as minhas observações com referências as tendências e utilizações da parapsicologia. Porque ela existe em função dos fenômenos paranormais.

Talvez, eu não tenha sido explícito com relação ao fenômeno parapsicológico, teletransporte, ou metafânica, que consiste o translado de objetos sem interferência física, aquelas que os padres e pastores ficavam ocupados quando surgia, segundo eles, uma casa mal assombrada, benzimentos, orações, a fim de retirarem o espírito sofredor, até que descobriram que os ruídos, movimentos de objetos eram causados pela força da mente de uma pessoa, isso já está provado, como sou bom candomblecista, não desejo negar que exista energias externas portadoras de negatividade ao ser humano.

A minha pergunta consistia em saber a opinião dos senhores, se a energia mental até o objeto a ser movimentado caracterizava um deslocamento da energia.

Essa pergunta é o desafio à física, porque alguns fenômenos eliminam a lei do tempo e espaço, principalmente a clarividência, ou visão e captação de informações a distancia, também fenômenos mais do que provados os estudos sinalizam, que não existe um deslocamento de energia, existe sim, uma interação entre os seres, neste caso, pessoas. Provando a compreensão deste fenômeno, a física terá algumas alterações, o significado da palavra Deus bíblico ficará em cheque, a não ser, que modifiquem o conceito da trindade, Deus deixará de ser único e auto gerador, futuramente, o tempo e o espaço, o homem saberá utilizar em seu benefício, será uma revolução.

Os interesses contrários que esses assuntos e conhecimentos sejam disseminados são muitos, e fortes, não desejam que se tornem públicos, é preferível que desmoralizem mistificando-o, pergunto; será que maioria está preparada para estas informações?

Somos natureza, o candomblé é natureza, e estes fenômenos fazem parte da natureza humana. Isto também é candomblé.

Ou será que a clarividência não existe?

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08 de dezembro

CANDOMBLÉ, PARAPSICOLOGIA E ESPIRITO

CANDOMBLÉ, PARAPSICOLOGIA E ESPÍRITO

Ogã Moura Falefa

Olá, axé (boas energias)

A finalidade não é de contestação, e sim tentar equacionar algumas dúvidas inerentes a área da parapsicologia e da espiritualidade, considerando que, as informações são antagônicas. Com certeza, uma explanação bem estruturada de um especialista trará novo horizonte a ser visualizado.

Algumas pessoas mais estudiosas da religião candomblé, como todas as outras religiões que acreditam nos espíritos, em planos existenciais extracorpóreo, com certa propriedade, crêem no poder da mente, e concomitante nas energias que são oriundas da natureza as quais nem todas são devidamente conhecidas.

Acreditando em energias, damos crédito a ciência, isso é óbvio, enfatizamos um tipo de energia que é comum a todos os seres, que é fluído vital, ou o princípio vital, embora, essa energia seja caracterizada nos seres vivos, concordamos com a evolução biológica, incluindo as antigas teorias, desde Aristóteles e Oparin e as mais recentes, sem deixar de expor os ácidos nucléicos como primordial à vida. A junção e ordenação da essência natural da dinâmica desses fatores é que acreditamos que foram sabiamente determinadas por uma energia chamada Olorun.

Essa inter ligação dos seres proveniente de uma mesma energia, ou de um sistema único, mesmo que atualmente a vida possa ser criada em laboratório, não altera a gênese, a essência da criação, e não trocamos a capacidade, o talento do manipulador, ou manuseio desses conhecimentos, os quais Deus permite suas utilizações no decorrer da evolução da capacidade humana.

Não acreditamos na espontaneidade, ou no acaso, da criação das espécies, acreditamos, sim, que por traz dessa espontaneidade e do acaso, existe este poder absoluto dinâmico criativo, nós criaturas fazemos parte de um todo, que se chama Natureza. Cremos na relação Olorun/Natureza/ Vida.

A espiritualidade no candomblé é constituída, de Orixás e egunguns, não obstante, o contexto de orixá seja também utilizado para caracterizar a energia supra-racional do ser humano, que o chamamos de orixá Ory, Consideramos que uma minúscula parte energética externa, proveniente da natureza, a qual polariza com a energia da matéria tornando-se atuante, expondo a influência entre criação e criatura, este fenômeno chamamos de incorporação.

O conflito entre a psiquiatria, parapsicologia e as religiões espiritualistas que manifestam uma entidade espiritual, A regra é que a pessoa incorporada seja diagnosticada como portadora de um transtorno mental, subjetivando o T. D. I. Transtorno Dissociativo de Personalidade, ou uma fragmentação psíquica, não existindo conhecimento mais aprimorado para o episódio.

Não podemos defender a nossa crença, sem argumentar assuntos pertinentes a própria ciência, principalmente, a capacidade de sugestibilidade das pessoas, refiro-me a hipnose, a fraqueza, ou poder da mente, a qual mais de 75% das pessoas seja hipnotizável, sendo que, 15% desse total são altamente sugestionáveis, o restante com certo grau de dificuldade, restando uns 10% considerados não hipnotizáveis, possuo dúvidas, na minha concepção todas as pessoas são hipnotizáveis, dependendo do estado emocional, a fragilidade, a predisposição no momento, a utilização da técnica adequada, que são variadas, lembrando que existem medicamentos hipnóticos, como dizem, se não vai por bem, vai à força.

Novas técnicas de indução ao transe hipnótico foram descobertas, incluindo a Eriksoniana. Utilizada por vários analistas, o paciente permanece a cordado.

Segundo especialistas a hipnose é o Estado Alterado da Consciência, considerando, que toda hipnose seja uma auto-hipnose, como afirmam, mas sempre existe algo induzindo a esta alteração. Repetindo o que dizem, é imprescindível que a pessoa concorde a ser levada ao transe.

O emprego de algumas técnicas a pessoa nem desconfia que estejam trabalhando a sua mente, são completamente inocentes.

No candomblé existem os toques os cânticos os quais são fatores altamente condicionantes ao transe. Por que na ótica da ciência a incorporação espírita é caracterizada como uma patologia, uma doença?

Sabemos que a medicina não é uma ciência exata, pois esse direcionamento de internar em hospícios os negros do candomblé data do século XIX. Considerando que amenizaram, mas o diagnóstico continua.

A minha explanação não representa anuência com a ótica dos intelectuais, pois, sabemos as diferenças entre uma incorporação, o transe hipnótico, e um transtorno mental pernicioso, embora o caminho seja o mesmo, mas as bifurcações existem, evidenciando as diferenças que são bem definidas.

A firmar que, não existe energia externa capaz de influenciar e interagir com pessoas, é negar todas as técnicas modernas utilizadas que são capazes a induzirem, alterarem a mente, é não reconhecer à energia magnética, a influência do som, da luz, a energia dos minerais, e de vários outros tipos de energias que interferem, ou podem polarizar com a energia das nossas matérias e mentes, algumas pessoas com predisposição, receptividade a essa polarização, com certeza, não são clinicamente doentes, posso até afirmar, são pessoas portadoras de capacidades especiais, o futuro dirá.

Por enquanto, eu dei exemplos de energias utilizadas no cotidiano das pessoas, sem maiores conseqüências, exceto quando essas energias são utilizadas com finalidades hipnóticas, algumas podendo até provocar, desestabilização emocional, transtornos, convulsões, e na maioria das vezes, a finalidade é adquirir submissão, em alguns casos a visualização, ou o direcionamento auditivo, podem causar dependência, fanatismo, ou reações violentas. A pessoa não percebe, não sabe a causa, mas sabemos que ela, ou ele, foi induzido a sentirem, ou passarem por àquela situação.

A morte, o egungun, o espírito, sabemos que o nosso corpo é constituído de 75% de líquido e 25% de massa, o que representa que, qualquer parte que constitui o nosso corpo devidamente estimulado existe uma reação, um estímulo, então somos energia ambulante, energia, existem uma infinidade de tipos, mas a que nos interessa a título do nosso esclarecimento, é a energia radiante, àquela que se transforma em ondas elétricas, sabemos que o nosso corpo, interruptamente, emite ondas eletro magnéticas, cessa quando morremos, a energia cerebral são detectadas pelo o calor, mas o nosso corpo também produz um outro tipo de onda, que são as ondas cerebrais, as quais são detectadas por meios de aparelhos que indicam intensidade freqüência... As que são devidamente estudadas e pesquisadas por cientistas, existindo avanços, e ultimamente pode ser medida a fim de diagnosticar algumas patologias do cérebro, principalmente as do sono.

Os parapsicólogos e os psiquiatras, ainda estão longe de encontrarem todas as possibilidades das ondas cerebrais. Pois ainda não chegaram a uma conclusão como acontecem os chamados fenômenos paranormais. Eles sabem que existem, é uma realidade esta capacidade da mente, por falta de conhecimentos alguns consideram esses fenômenos como transcendental, inverossímil ou simplesmente, não acreditam, 80% da população ainda ficam intrigadas com essa possibilidade, e perguntam: Como, ele ateou fogo na casa com a mente (pirogênese)? Joga pedras e objetos com a mente (telecinese)? Cito esses dois exemplos de fenômenos paranormais, não que sejam os mais comuns dentro da parapsicologia, mas são os que possuem maior visibilidade, e de vez enquanto estão acontecendo, e são divulgados incessantemente pelos meios de comunicações, antigamente os religiosos faziam a festa, e alguns ainda o fazem.

O fenômeno comum (na minha concepção) e mais intrigante dentro da nomenclatura PSI KAPA, é o teleportação, ele consiste que a pessoa possa deslocar-se mentalmente, não considerando a distância, vê, ouve e dependendo da capacidade da pessoa induzida pode interagir com alguém, não é necessário conhecer, com certas limitações. Isso é energia, onda mental, mas parece ficção científica, posso afirmar, acontece, é real. Prova, é que existem estudos e pesquisas enfocando esses fenômenos.

Deixamos de referirmos as ondas cerebrais e passamos enfocar outra espécie de onda, para ser mais claro, ondas do pensamento, da mente, não deixa de ser energia. São essas ondas que estão causando tanta polêmica descrédito, ou existem interesses contrários a esta realidade porque pode afetar a crença de muitas pessoas.

Ondas eletromagnéticas, segundo o físico James Clerk Maxwell, são aquelas que se propagam no espaço, infelizmente não posso afirmar que esta definição sirva para as ondas mentais, no exemplo citado do teletransporte, houve um deslocamento de energia, ou não? Embora a pessoa física permanecesse no local.

Partindo dos princípios conhecidos, quando o emissor deixa de emitir ondas, aquelas que foram emitidas continuam no espaço, assim como uma estrela deixa de existir, mas a sua luminosidade continua sendo observada.A dificuldade resume-se na possibilidade em captá-la, ou sintonizá-las.

No candomblé, nos acreditamos que essa energia humana não desaparece com o falecimento da pessoa, e existe um culto específico aos ancestrais e reverenciam o retorno e a interação dessa energia, espírito do falecido, ou das, à comunidade que era familiar. Axé

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24 de outubro

PVO DO CANDOMBLÉ, A SAGA DOS NEGROS

O POVO DO CANDOMBLÉ

A SAGA DOS NEGROS

DE ONDE VIEMOS?

Ogã Moura Falefa

Para sabermos o que está acontecendo com a nossa religião, na minha concepção deveríamos realizar uma análise sem fanatismo religioso e avaliarmos as transformações, as ingerências, a fim de detectarmos quais delas imprimiram aspectos, facetas, ou concorreram com maior subsídio originando o candomblé conhecido e praticado, como ele é visto e analisado pela sociedade, o qual serve de chacota nos meios de comunicações, sendo a cada dia, ultrajada e desmoralizada acintosamente, não percebem, ou não desejam perceberem, que sob este manto teatral e carnavalesco de brilho, lantejoulas farfalhar das sedas das saias; a religião possui princípios sólidos e sérios para ser enaltecida pela sua coerência com o mundo em que vivemos, relacionando-a no aspecto, Criador, espírito, natureza.

Um Breve Relato das Nossas Origens

Sabemos que, o culto aos Orixás, Jinkise e Vodun é de origem africana veio junto com os negros que foram trazidos e vendidos como escravos, cinqüenta anos após o descobrimento do Brasil.

Os negros foram aprisionados em várias localidades da África. Eles trouxeram uma coisa em comum, a fé no seu Deus, nas suas divindades e nas forças da natureza. A forma de cultuar diferenciava-se, mas a essência era única.

Sobrepujamos todas as perseguições, incluindo a famigerada santa inquisição, que deu o toque final de malignidade aos cultos dos escravos, a igreja repetiu o procedimento praticado com as crenças existentes na Mesopotâmia, às vezes unindo-se, ou assimilando-as com aspecto de santidade. Nossos antepassados foram obrigados a idealizarem uma igualdade religiosa para seus cultos e divindades, surgindo desse comportamento o sincretismo com a religião católica, o que gerou várias religiões afras católicas, em parte, eu presumo que prevaleceu o instinto aguerrido de um povo em defesa da sua cultura.

O sincretismo proporcionou iniludivelmente à vida aos nossos ancestrais e a continuação proveniente das reminiscências dos seus cultos e dos vínculos culturais.

Os novos evangélicos empunham a velha e desgastada espada de segunda mão, com energia, defendendo a bondade e a santidade do seu deus, utilizando-nos como um símbolo a ser destruído, mas subindo nos nossos degraus; a dualidade de sempre, nos somos os mal, eles são o bem.

A SAGA DOS NEGROS

No ano de 1888, quando foi assinada a lei áurea, o fim tardio da escravidão, somente 5% dos negros permanecia escravizado, lei que os jogou no meio da rua, a partir desse dia foi oficializada a condição dos sem tetos, sem dormida e sem alimento e com a sua religiosidade deturpada. Mas algumas pessoas bondosas antes da lei áurea conseguiram algumas leis que “beneficiavam” os escravizados, primeiro a lei do ventre livre, nº 2.040 em 28/09/1871 todas as crianças nascidas de escravas ficariam livres até a idade de oito anos, o escravagista poderia escolher receber 600$000 da coroa, ou usar o trabalho do menor até a idade de 21 anos, concomitante construíram uma creche, de cada 100 crianças internadas, oitenta morriam, ou eram vendidas, outro benemérito criou a lei do sexagenário, nº 3.270, retirou o custo de um velho improdutivo da responsabilidade do senhor da fazenda. De acordo com a lei, aos negros não eram permitidos irem à escola, pois eram portadores de doenças contagiosas. O decreto (1850/601), os negros foram obrigados a comprarem terra para poderem trabalhar. Após a lei áurea a vida dos negros libertos ficou difícil, mas para os colonizadores europeus, glebas de terras foram doadas pelo governo. Na guerra do Paraguai morreu um milhão de negros que viviam no Brasil (já existindo a preocupação com a cor do povo brasileiro), na Argentina praticamente os negros fora exterminados, e o Paraguai deixou de ser a única potência da America latina, porque era de interesse da Inglaterra. A pós a guerra, o Paraguai ficou arrasado em termos de população, somente restaram os velhos e inválidos.

O negro passou a viver do subemprego, as mulheres a se prostituírem, ou vendendo quitutes, a luta pela sobrevivência tornou-se feroz, muitos dos ex escravos continuaram a serem explorados pelos seus ex-senhores, pela total falta de opção. Uma significativa parcela vivia às margens das leis. Considerando que, justiça e respeito eles não possuíam esses direitos; eram considerados párias da sociedade.

Naquele ambiente, os princípios éticos e morais eram inexistentes para o negro, é o que acontece com qualquer povo, em qualquer sociedade, o instinto de sobrevivência é instintivo, reflexo condicionado, a vida é prioridade muitas vezes sem importar com as conseqüências, aí mano, o opressor passa a ser oprimido, existindo somente duas saídas, inserindo os oprimidos na sociedade, inclusão social, reparando os erros cometidos, ou inibindo o crescimento populacional, a fim de manter o equilíbrio, ao mesmo tempo, incentivando a inocência da ignorância para que o helotismo simbiótico possa ser controlado.

Somos o produto daquelas gerações, sobreviventes da miséria, da falta de apoio e da desigualdade social, somos a ignorância ambulante. Ainda são poucos que possuem consciência, do que somos, perante a sociedade, mesquinha e egoísta. É inegável que existem exceções.

AS IRMANDADES

A luta do negro a fim de ser livre, e ser inserido na sociedade. A primeira reação dos negros foi à fuga, organizando-se em kilombos, o mais importante, o kilombo dos Palmares, fundado em 1597, quando demonstraram talento organizacional, gerenciamento, liderança e a capacidade associativa, outra reação foi as várias revoltas colocando a coroa em estado de alerta, a população negra era superior, mas a solução para a sociedade racista, veio da igreja católica, ofereceu aos negros a oportunidade de se congregarem por intermédio das irmandades, o que era um maneira de converterem o negro, dividirem a raça, causar discórdias entre eles, mas continuarem segregados e analfabetos. Os negros ávidos para serem inseridos na sociedade, em busca de um espaço, ou adquirirem visibilidade perante seus algozes, a irmandade mais poderosa existente na Bahia, foi a Irmandade do Rosário dos Pretos, era constituída por negros e mestiços de Angola.

Os negros oriundos do Congo associaram-se na irmandade, de São Benedito, formando a irmandade, Nossa Senhora do Rosário dos Negros Congos. A irmandade da Boa Morte, constituída principalmente por mulheres sudanesas, a irmandade Nosso Senhor dos Martírios, participantes somente homens Jeje e Nagos, a irmandade do Pereira, formada por Jejes e Benguelas em 1784, a irmandade Nosso Senhor do redentor, formados pela etnia Jeje, As irmandades da Boa Morte, sobrepujaram as outras considerando o direcionamento religioso na Bahia, mas em termos de bens, e maior quantidade de associados, foi a rica irmandade do Rosário dos pretos, igreja iniciada a construção, pelos negros, no ano de 1630, essas irmandade tinham como prioridade a defesa jurídica, funeral, e a compra de alforrias, as esmolas enfim, desenvolver um trabalho social, independente da cor da pele, embora eles não pudessem freqüentar outras igrejas, o princípio era o mesmo dos kilombos, não obstante, sofressem interferências dos padres, e dos brancos inseridos na diretoria, nos cargos de tesoureiro, e escrivão, até as suas expulsões no ano de 1882.

O maior fluxo de negros oriundos da cidade de Ketu aconteceu na metade do século XVIII, pouco antes da assinatura da lei áurea, quando aconteceu a queda da cidade de Oyo no ano de 1880, e da cidade ketu, em 1886, representaram 80% dos escravos em Salvador, negros Oyo, Egba, Egbdo, Ketu, Ileshá... O império Oyo, foi derrotado, os Angolas kongos deixaram de ser maioria.

Em pouco tempo os yorubás fizeram o que os bantos deixaram de fazer durante 300 anos de predominância, que foi impor a sua religião, começando pelo sincretismo, não existe sincretismo com os Inkisi, ou Mukixi, e sim com as divindades Yorubás, exceto algumas formações religiosas, ou folclóricas afras descentes de matizes bantas, como o rei do Kongo, kongada, maculele, batukajé, as quais se tornaram folclore, mas o rei do Kongo foi história real, real com todas as letras, no ano de 1711, elegeram o seu mukino ria Congo, que reinava sobre todos os negros, em quase todas as províncias, existiram coroação do rei do Kongo, eles possuíam uma credibilidade maior do que o nosso rei Momo, pois eles eram coroados pelo vigário da igreja, ou paróquia, o que dava a qualidade de sinceridade e credibilidade, posteriormente, esse evento perdeu a autenticidade.

A religiosidade dos escravos se expandiu, os seus descendentes, os filhos da terra, os mestiços aderiram mesmo com as perseguições policial, católica,, da sociedade alienada, pois, a religião foi associada aos negros com conotação de menosprezo, negro era inferior, segundo informação fidedigna, o nosso medico pai da medicina legal no Brasil, pesquisador do negro e da sua cultura, o grande professor Nina Rodrigues, afirmou: Pior do que os negros somente os mulatos, esses são completamente degenerados.

O negro não possuía estatuo de cidadão, a vida do negro perdeu o valor financeiro, deixou de representar uma propriedade, as suas vidas valiam menos do que a de um boi, a de um cão, ou a de um cavalo, valia menos do que nada.

É indiscutível que as irmandades e a elite da sociedade resolveram dois problemas prioritários da época. A conversão em parte pelos negros à religião, o outro problema afligia a sociedade, que perguntava, Qual tipo de povo queremos para o Brasil? Essa preocupação era antiga, a guerra do Paraguai serviu para os negros mostrarem as suas bravuras e aliviar a sociedade do excesso de suas presenças.

Nas irmandades religiosas foi estimulada a separação da raça e cor da pele, chamadas de nações, mas a separação da raça, de fato, aconteceu com uma lei editada em 1774, que deu aos mestiços, de pele mais clara, direitos as honrarias e dignidade, obteve a oportunidade em aprenderem um ofício; para o negro, nada, continuo no mesmo, daquela época o pardo deixou de ser negro, e começou achar que não era negro, era superior, e o negro a sentir vergonha de ser negro.

O dia do mestiço, 26 de junho, lei que já existe em vários estados do norte do Brasil, infelizmente ainda não chegou por aqui. Os tempos são outros, aquela foi o inicio do mais nojento e cruel tipo de racismo, o dissimulado, o negro não percebia, até hoje alguns não percebem, que são discriminados. Vides na mídia televisiva, atualmente as incursões das polícias nos morros e favelas, somente matam negros, incluindo mestiços, como é dito, na miséria todos são iguais, mas o branco sabe que sempre existe uma vantagem do seu lado.

O branqueamento, do povo brasileiro, está quase concluído, embora as conseqüências, nefanda e nefasta os responsáveis não assumam, sentem-se invadidos no espaço que eles consideravam sendo deles, mas graças a Olorun, o tempo está mudando.

Desde a chegada dos povos sudaneses, as irmandades serviram para que eles impusessem a sua religiosidade.

A igreja da Barroquinha foi fundada em 1726, a qual foi sede da irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, em 1970, mudou-se para o bairro da Barroquinha, que era um dos redutos dos batuques africanos, uma negra alforriada chamada iyá Detá.

A origem do candomblé

O caboclo

Os bantos e seus descentes nos kilombos relacionaram-se, muito bem, com os índios, lembrando que os índios foram os primeiros a serem escravizados e existiram em quantidade suficiente para existir uma homogeneização dos cultos, os cafusos assimilaram alguns conceitos indígena e como já tinham sido doutrinado pela religião católica, houve identificação, principalmente com Jesus Cristo e Nossa Senhora, tendo Nzambi como divindade maior surgindo dessa mistura o candomblé de caboclo, cantado em português. A associação com os yorubás foi por último, quando houve absorção de alguns orixás no candomblé de caboclo, Exú, Ogun, Oxossi, divindade feminino inventaram Janaína, não existe referência em nenhuma tribo indígena a existência dessa divindade chamada de Janaína pasou a ser louvada como Yemonjá, surgindo dessa união uma ramificação do candomblé de caboclo chamado de Amuraxó, que consistia sendo o candomblé de caboclo/orixá, nestas festas todas as obriga ações eram cantadas em português para os orixás com sobrenomes variados, como ogun beira mar, marinho, De Le. Exú Barabo (Jeje), da Porteira, Sete Facadas, Molambo. Exú no candomblé de caboclo foi assimilado completamente com o mal, com o Satanás, sabemos que não é verdade. Para Oshun, invariavelmente cantava-se Ijexá, após a predominância do Yorubás, foi introduzido alguns instrumentos, rituais próprios da nação ketu, como alguidar, agogô, xequere ou abê, instrumento feito com cabaça, kaxixi, batismo de caboclo. Azeite de dendê, em Salvador, desapareceu a Jurema, a bebida, e foi inserido o Aluá, matança para caboclo.

Até pouco tempo o Amuraxó passava como candomblé de angola, felizmente existem Angoleiros, pessoas amigas, aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador, realizando trabalhos importantes, resgatando a autenticidade da nação Angola/Kongo, que estava enterrada bem fundo. Hoje sentimos alguns resultados, por exemplo: Alguns terreiros cantam Angola não misturam com o caboclo. Infelizmente o candomblé de caboclo em Salvador, São Paulo, Rio de janeiro desapareceu, existe atualmente toque para caboclo, uma vez por ano nas casas, exceto em certas casas tradicionais consideradas Ketu castiço, que resistem, ao menos publicamente, mas liberam seus filhos.

O termo pai de santo, assim como a palavra candomblé, mas com referência ao povo de Angola foi registrada em 1808, o candomblé indica um direcionamento puramente religioso, podemos considerar que os pais de santo, na origem da palavra, representavam o curandeirismo, o benzedor e com forte influência católica, os mestiços já estavam em torno de suas sexagésima gerações e não existia uma menção aos jinkisi, ou mukixi, exceto a Kilundu, palavra do idioma do kikongo, no início da escravidão, divindade que dirige os destinos dos homens, segundo J. Cordeiro, no seu dicionário kibundu, o Kilundu deu origem a palavra calundu e lundu e tornou-se dança de salão, citação mais antiga no Brasil data de 1780, o qual foi confundido com o ritmo e dança dos negros chamado Batuque, palavra kibundo, folguedo que já existia em Portugal.

Dessas manifestações que possuíam caráter diversivo, que contribuíram para a origem do candomblé eu considero o batuque e candombe como precursores do candomblé, haja vista, o kilundu era um festejo com finalidade de efetuarem pedidos, mas normalmente de agradecimento, não possuía um culto formado e específico com seguidores, ou seguidores.

A palavra condombe, derivada de kiandombe, para designar negro, ou se assim desejarem; KA – pronome, meu—ndombe negro. Candombe para designar, reza ,ou dança de negro, não encontrei referências que pudessem serem provadas, mas no Brasil ela tomou esse significado. Mas tudo indica que esta palavra foi muito utilizada em Belo Horizonte, pelos participantes da fraternidade de nossa Senhora do Rosário, na residência do rei do kongo, rei empossado com autorização da igreja, e que no ato da coroação eliminam o Endoquê, palavra do kikongo, Ndoki, que representava o feiticeiro maléfico que se transforma em vampiro, como nos candomblés de caboclo, o cântico: A indoquê, eu dei um tiro, quero ver cair, a indoquê eu dei um tiro quero ver cair.

O batuque, ritmo e dança que atravessou o tempo serviu como base para algumas variações rítmicas e coreografias, a semelhança da batida do candombé, que ainda existe em algumas localidades em Minas Gerais e no Uruguai, eu percebo a igualdade com o toque da Umbanda e com samba d caboclo da Bahia, e o samba de roda da Bahia, que é o mesmo samba que representa o Brasil. Aliás, a palavra samba, semba que vem do Lunda-Kioco, embora haja outras línguas bantas com essa palavra, mas no nosso caso o semba é representa a origem da nossa dança, que quer dizer Umbigada.

Pela lógica, o batuque e o candombé era um ritmo único, pelo que escutei o toque são idênticos, os registros são quase nenhum com relação de Angola e Kongo

O candomblé de Angola, ou Kongo as informações perderam-se no tempo, até o momento não consegui informações documentadas da existência do candomblé de Angola/Kongo que não fossem miscigenados, refiro-me nas festas, nos salões, sempre presente o amuraxó.

A Expansão do Candomblé de Angola/Kongo, as informações mais antigas é da mameto Maria Neném, que inicou Bernardino, fundador do terreiro Bate Folha, e Ciriaco, fundador do terreiro Tumba junsara, no ano de 1910, século vinte, quando falamos de candomblé angola/Kongo na Bahia, sabemos que esses dois terreiro foram que deram sustentação a nação Angola/Kongo. O que permite que atualmente se realize esse movimento para o resgate, e a pureza de cultura, de um povo que soube mudar o idioma de um País, inserindo 23% do seu idioma no nosso Português, e a sua dádiva maior, é essa musicalidade que nos é inata, que está no nosso sangue; como carro chefe, o nosso samba querido.

Infelizmente o que fizeram com a religiosidade Angola/Kongo, O mesmo que fizeram com os negros e mestiços, a divisão das religiosidades. O Sr Dr. Nina Rodrigues quando em sua tese disse que sendo o negro inferior não era responsável pelos seus atos, quer dizer eram imputáveis. O que causou indignação e revolta, então ele propôs, de acordo com seus estudos, percebeu a supremacia religiosa e a superioridade dos negros sudaneses, e a religião dos negros Jejes e \Yorubás mereciam a condição de religião, esse conceito teve continuidade pelo Sr, Arthur Ramos e outros alunos do Dr. Nina Rodriguês, então a religião do Ketu foi valorizada em detrimento A nação Angola e o Kongo.

Restaram resquícios das divindades que As irmandades não conseguiram destruir, embora, ainda, existindo uma igualdade, com a religião sudanesa.

Algumas divindades cultuadas no Angola/Kongo

Kikongo

Nkosi, Caiango, Kavungu, Balanguanje, Dandalunda, Mpanzo, Matamba, Zambiapungu, Kissimbi, Luango, Zaze, Zumba, Nvunji.

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